Vítima de uma tremenda ensolação, tive uns delírios e cheguei a pensar que havia me tornado um grande navegador. Cheguei a beber goles de alegria. Ledo engano. Sou do mar, mas nada sei de náutica. Conheço o movimento das marés, respeito as fases da lua, ouço o vento da noite e a brisa da manhã. Mas não conheço bússolas nem astrolábios. Não conheço as normas técnicas que estão a gerir as novas marés.
Hoje, não sei por que, senti um enjoo dessa náutica que não tem cheiro. Vou procurar uma praia deserta e repensar o meu papel nesta estranha viagem. Aliás, se ontem eu andava transbordando e hoje me resseco, deve ser porque sou água viva em movimento constante. E nada pode me deter. Não vou, não quero mais essa coisa nojenta que te solta e te cobra como preço da tua liberdade a tua prisão. Já não estou mais aí com vocês: fui pegar um sol de verdade e sentir cheiro das coisas essenciais.
João
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